Designer transforma livros velhos em negócio criativo

Designer transforma livros velhos em negócio criativo

Os acessórios de Katya Thais chamaram a atenção por serem diferentes

Por Fabiano Candido com Isabela Moreira - 10/03/2015
Katya encontra os livros em sebos e bibliotecas (Foto: Divulgação)
A designer Katya Thais, de 31 anos, passou anos trabalhando ao lado da mãe em um camelô quando era mais nova, mas nunca pensou que fosse ter um negócio próprio no futuro.
O interesse da empreendedora sempre esteve voltado para o segmento artístico. Tanto que ela escolheu fazer um curso de graduação em design de interiores. Durante a faculdade, Katya começou a fazer bolsas artesanais e criativas para ir às aulas, e acabou fazendo muito sucesso. “O pessoal via e queria comprar”, afirma.
Ela começou a fazer bolsas sob encomenda para conhecidos e criou uma página no Facebook para expor seus produtos, dando ao negócio o nome de Ateliê Catarina.
Além dos produtos convencionais, o que mais chamou a atenção do público foram os livros reciclados em bolsas. A ideia de fazer o produto veio quando Katya entrou em contato com o trabalho de uma estilista francesa que incorporava livros antigos em seus desenhos.
A empreendedora de Florianópolis, Santa Catarina, adotou o método e começou a comprar livros velhos em sebos e a recolhê-los em bibliotecas. Ela tira o miolo dos livros - dependendo da condição em que ele estiver, ela o doa para que seja reaproveitado - e transforma as capas em bolsas.
Além das bolsas, a empreendedora também produz carteiras a partir de livros antigos e que não são mais utilizados (Foto: Divulgação)
“A partir dos novos modelos, comecei a receber pedidos de compra de várias partes do Brasil”, diz Katya. “As pessoas começaram a indicar os meus produtos umas para as outras, passaram a dar as bolsas de presentes. Houve uma demanda para, além das encomendas, ter um estoque pronto para entrega.”
A empreendedora resolveu então criar uma loja virtual para suas criações. “Para uma pessoa criativa, lidar com o aspecto burocrático de um negócio é como lidar com um bicho de sete cabeças”, afirma Katya. Por isso, ela utilizou o sistema Vitrine, do Catraca Livre, no qual o empreendedor disponibiliza seus produtos e a ferramenta o ajuda a controlar os pedidos, o estoque e as formas de pagamento.
Fisicamente
Katya pretende expandir suas frentes de atuação. Até o fim do semestre, o site oficial do Ateliê Catarina estará no ar com uma loja virtual própria. Além disso, a empreendedora, que se mudou para Maringá, no Paraná, para fazer pós-graduação em Sustentabilidade, pretende voltar a sua cidade natal, Florianópolis, onde está montando um espaço físico para o ateliê.
“É uma cidade na qual a economia criativa está crescendo. Estou de olho em algumas lojas com as quais quero fazer parceria”, diz.
No momento, Katya ainda cuida sozinha do processo de criação e desenvolvimento dos produtos. Ela leva três horas para fazer cada peça, e vende em torno de 40 itens por mês. As carteiras custam entre R$ 45 e R$ 65 e as bolsas vão de R$ 49 a R$ 89, gerando um faturamento de cerca de R$ 3000 mensais para a empreendedora. “Tudo que entra no caixa é reinvestido no próprio negócio”, afirma.
Ela possui uma sócia-investidora, que contribuiu com R$ 20 mil para a expansão do Ateliê Catarina. Além da primeira unidade física do negócio, Katya espera poder terceirizar algumas etapas do processo de criação até o fim do ano.
“Ainda estou bem no começo. Mas o pouquinho pelo qual já passei me rendeu um retorno maravilhoso. Quero ter condições de aumentar essa produção”, diz.